quarta-feira, 4 de março de 2015

Apresentação - Carlos Pinho

Caros colegas e amigos,
Uma primeira palavra para vos congratular, a todos, pela participação no processo eleitoral para a eleição dos órgãos sociais do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público para o triénio de 2015/2018.
Independentemente daquilo que cada um defenda, do que nos una ou separe, do que nos aproxime ou afaste, saúdo a participação de todos vós na realização da democracia representativa no nosso SMMP.
Num momento em que, mais do que nunca na história recente, tanto está em jogo quanto à definição do nosso futuro individual enquanto Magistrados e do futuro colectivo do Ministério Público, é imprescindível a mobilização de todos para este processo eleitoral, em que se determinará o posicionamento do SMMP face às alterações, internas e externas, em curso.
Internas, pois que estamos na fase de edificação de uma nova organização da Magistratura do Ministério Público, consequência da alteração de paradigma do sistema judiciário, nas vertentes processuais, de organização e estatutárias.
É um processo inacabado, ao qual falta um dos pilares essenciais da construção legislativa, o Estatuto do Ministério Público, ainda em processo de aprovação.
Mas é também, nesta vertente interna, um processo inacabado quanto à definição concreta da organização do Ministério Público, designadamente ao nível das comarcas, pelos grandes ajustamentos ainda necessários para conferir sentido às estruturas orgânicas criadas, conteúdo às funções, mormente de coordenação e critério à distribuição de serviço, num quadro de enorme carência de Magistrados.
Passados estes meses iniciais, com efeito, dois sintomas altamente preocupantes emergem à evidência, causando entropias na estrutura do Ministério Público e na eficácia da sua acção: um, distribuições de serviço desregradas da realidade das comarcas, propiciando desequilíbrios brutais de volume de trabalho entre Magistrados, com nefastos efeitos em termos de qualidade e produtividade de serviço; outro, indissociável daquele, as insuficiências na distribuição dos lugares dos quadros das comarcas, problema este agravado pela enorme falta de Magistrados do Ministério Público.
Por isso, exige-se um SMMP que proceda aos necessários diagnósticos e avaliações e que denuncie, sem rodeios, os problemas existentes, responsabilizando quem tenha de ser responsabilizado, seja a estrutura hierárquica e os coordenadores de comarca, seja o Conselho, mas sempre afirmando as necessárias propostas para resolução de tais problemas.
Alterações externas, pois que nos encontramos no fim de um ciclo político, que acaba por coincidir com um momento particularmente relevante na afirmação do Ministério Público e do sistema de justiça, designadamente no que ao combate à grande criminalidade económico-financeira diz respeito.
Alguns dos sinais que vão sendo conhecidos publicamente, particularmente a reboque de comentário a processos bem conhecidos de todos, são preocupantes nas sugestões que fazem, procurando por todos os meios colar aos Magistrados a injusta e injustificada imagem de Justiceiros – nada mais falso.
Outros sinais, menos óbvios, mas ainda mais preocupantes, têm que ver com propaladas propostas de alterações do quadro legal e sistema relativo à investigação criminal. Na dialéctica por vezes agressiva de relacionamento entre poderes, o máximo seguro dos demais poderes passa pelo controlo político da investigação criminal, que é no fundo a fonte de “incómodo” provindo do poder judicial.
É neste enquadramento que o SMMP tem de se assumir verdadeiramente independente, livre de quaisquer influências ou vinculações, internas ou externas e, com muito trabalho e resiliência, prosseguir um posicionamento firme, determinado e intransigente na defesa dos seus associados, do Ministério Público e da Justiça.
É isto que sei, como vós também sabeis, que os candidatos que integram a Lista A têm para dar ao SMMP – independência, trabalho e resiliência na defesa dos Magistrados e na afirmação do Ministério Público – e é isto que me move na acção sindical que desempenhei, desempenho e me candidato a desempenhar no próximo triénio, numa equipa jovem, mas experiente nas lides sindicais, e que merece a inteira confiança de todos.
Por isso, participem no processo eleitoral e
VOTA A!
Carlos Pinho, candidato a vogal da Direção Nacional