quinta-feira, 12 de março de 2015

Apresentação - David Aguilar

Afirmar o Ministério Público é o nosso mote. O modo infinitivo apela a que diariamente conjuguemos o verbo. Ser magistrado do Ministério Público é ter voz activa, é fazer parte do sujeito composto de uma oração judiciária que se não quer subordinada senão à defesa intransigente da legalidade democrática. A hierarquia que o caracteriza é a guarda avançada da sua autonomia externa, enquanto assegura a coerência da sua acção e a consecução da sua missão. A justificação da sua existência é também a razão primeira da sua limitação: o exercício indefectível e inalienável da consciência crítica de cada magistrado na resolução das situações que, nos temos da lei, lhe compete decidir e despachar.
Vivemos tempos estranhos. Os conceitos parecem afastar-se cada vez mais da realidade a que se destinam. As palavras são ocas, meros ecos de um significado que não possuem já. A segurança jurídica é arquelogia judiciária. Themis pensava envergar uma armadura, mas ia nua. A razão prática é razão única. O que tem isto a ver connosco? Tudo. Num tempo em que se diluem conceitos e ruem valores, em que as cabeças se baixam não por medo, mas por inércia, um magistrado do Ministério Público tem a obrigação de carregar na tinta para sublinhar conceitos, de construir pilares para erigir valores, de levantar a voz para erguer cabeças. Um Sindicato de Magistrados do Ministério Público é em primeira linha uma associação destinada a defender os interesses dos seus associados. Contudo, poucos podem como nós conjugar o seu interesse particular com tão nobre interesse colectivo. Esse nosso benefício e privilégio é também a nossa maior obrigação. Não devemos envergonhar-nos de exigir condições condignas para o exercício do nosso ofício. A nossa dignidade é o reflexo da qualidade do nosso Estado de Direito. Queremos ser tão independentes quanto responsáveis. Afirmar o Ministério Público é afirmar um Estado de Direito Material.
São por isso águas conturbadas as que navegamos. A nossa missão primeira, definida no texto constitucional, deve permanecer o nosso farol. Sem vaidades vãs ou beligerâncias barrocas. Os tempos não estão para complexos narcísicos. O espelho oculta o horizonte.
A equipa da Lista A congrega um conjunto de colegas em que me revejo, que almeja lutar por melhores condições para que os magistrados do Ministério Público logrem cumprir as funções que lhes estão confiadas. É nisso que estamos focados.
Com eles, afirmo o Ministério Público.
Junta-te a nós e Vota na Lista A.
Saudações Sindicais,
David Albuquerque e Aguilar, candidato a vogal da distrital de Lisboa