quinta-feira, 12 de março de 2015

Apresentação - Rita Sousa

Caras Colegas e Caros Colegas,
Escrevo-vos este texto num final de um longo dia em que as horas trabalho avançaram muito sobre o tempo de descanso. Partilho convosco este facto por ilustrar tão bem uma realidade que nos é comum, e que se prende com a exigência das tarefas que compõem o exercício de funções de magistrado do Ministério Público, sem horários, e com muita abnegação e sacrifício dos tempos de lazer, de repouso, da vida pessoal. Todos sabemos do que falo.
O nosso estatuto socioprofissional tem particularidades e liga-se à missão constitucional mais vasta de administração da justiça. O povo delegou em nós o exercício da autoridade pública para sua representação e defesa da legalidade. Somos um corpo de magistrados.
Também a actividade sindicalista do Ministério Público surge enquadrada pelo facto de sermos uma magistratura a quem o povo confiou uma missão constitucional. Não o esquecemos. Tal é de grande responsabilidade.
Mas tal não pode ser cumprido a todo o custo e com crescente sacrifício individual. Os últimos anos têm sido particularmente graves no que concerne à realização dos nossos direitos. E se é certo que não nos negamos a responder às exigências comunitárias a que estamos vinculados, também é certo que uma tal resposta não se pode dissociar das condições de dignidade do seu exercício e tendo como preço o contínuo declínio dos nossos direitos laborais, com a distribuição por todos de mais e mais horas de trabalho, de mais incertezas na distribuição do nosso serviço e das nossas colocações, de maior degradação do nosso estatuto remuneratório, de contínua valorização dos objectivos numéricos e dos resultados estatísticos em detrimento da ponderação concreta da solução justa.
Integramo-nos numa estrutura hierarquizada, mas hierarquia não é sinónimo de comunicação unívoca e de autoridade. Uma magistratura que se quer afirmar autónoma externamente tem de ser respeitada na sua autonomia interna, desde as bases. Impõe-se reforçar a cultura de independência e de diálogo interno, e de responsabilização das bases sem paternalismos, autoritarismos ou escudada em burocracias.
Os tempos correntes são de grande exigência e de desafio. Só lhes poderemos corresponder com a dotação dos meios humanos e materiais adequados à sua realização e com o reforço dos nossos direitos laborais.
E porque se aproxima o momento final da campanha, tenho de vos dizer o seguinte, com todo o respeito, camaradagem, e amizade que me merecem os nossos adversários: tem sido veiculado o paralelismo de projectos das duas listas. Tenho a obrigação de vos dizer que isso não corresponde à verdade:
- Nunca um membro da lista A se manifestou, privada ou publicamente, contra aquela que é uma das pedras de toque da nossa autonomia, a inamovibilidade!
- Nunca um membro da lista A postergou demagogicamente os princípios da representação democrática pelo processo eleitoral, em nome da promessa de discussão de aspectos de pormenor que podem vir a colocar em causa um momento único, favorável à aprovação de um estatuto discutido, pensado e querido há décadas;
- Nunca um elemento da Lista A duvidou dos benefícios das carreiras planas, da autonomia financeira do Ministério Público ou sobre o sistema de freios e balanços que a previsão das Procuradorias Regionais representa no quadro do novo estatuto;
- Nunca um membro da Lista A introduziu promessas irrealistas que podem colocar em causa para todos o escasso benefício remuneratório recentemente conseguido.
A lista A é uma voz activa, próxima e responsável no combate à degradação dos nossos direitos e na afirmação da dignidade da magistratura do Ministério Público.
Vota A!
Rita Sousa, candidata a presidenta da distrital do Porto