Apesar
de ter menos de meia dúzia de anos de serviço, posso afirmar ter sido
testemunha de tempos se terem vivido em que a nossa autonomia se encontrou
cerceada. Sentia que, por força de um mero azar na distribuição, poderiam
existir intromissões ou pressões no nosso trabalho, sentia que, quando
precisássemos, a cúpula da hierarquia, para além de nos dar as costas, seria a
primeira a atirar a pedra.
Há
bem pouco tempo havia demasiados cidadãos mais iguais que outros.
Devagar,
devagarinho, sentem-se os ventos da mudança.
Nos
últimos anos, graças à mudança dos actores, à nossa resiliência e também à do
Sindicato os ares que se respiram são mais benéficos, mais puros. Têm vindo
paulatinamente a ser criadas as condições para podermos serena e objectivamente
exercer as nossas funções e garantir que o cidadão seja tratado e considerado
de forma igual, garantir que não existam pessoas mais iguais que outras,
cidadãos de primeira e cidadãos de segunda.
Para
afirmar a democracia é essencial assegurar a igualdade dos cidadãos perante a
lei. Só assim se mantêm os valores da liberdade. Sem um Ministério Público
autónomo, não há igualdade. Sem igualdade, não haverá verdadeiramente
liberdade.
Os
tempos que se avizinham não se prevêem fáceis. Receio que nos próximos tempos o
nosso trabalho venha a ser sistematicamente controlado, a nossa legitimidade
venha a ser questionada e a nossa autonomia venha a ser irremediavelmente
atacada.
Em
tempos difíceis é essencial manter o Sindicato independente, coeso e
persistente. Há que garantir que, fechadas todas as portas e barrados todos os
caminhos, haja alguém que, contra a maré, continue a remar, que siga em frente,
sempre e sem vergar.
Por
acreditar que a nossa lista é aquela que melhor representa os valores da
autonomia tanto externa como interna e também por acreditar que representa o
melhor equilíbrio entre continuidade e renovação, solenemente Afirmo que
votarei na Lista A.
Finalmente,
dar-me-ei à liberdade de, traduzindo por palavras minhas, citar um provérbio
(segundo me constou mexicano):
"Queriam
enterrar-nos...
Não
sabiam que, na realidade, éramos sementes"
Vota
A
Valéria
Portela, candidata a vogal da Distrital de Lisboa