segunda-feira, 9 de março de 2015

Apresentação - Valéria Portela

Apesar de ter menos de meia dúzia de anos de serviço, posso afirmar ter sido testemunha de tempos se terem vivido em que a nossa autonomia se encontrou cerceada. Sentia que, por força de um mero azar na distribuição, poderiam existir intromissões ou pressões no nosso trabalho, sentia que, quando precisássemos, a cúpula da hierarquia, para além de nos dar as costas, seria a primeira a atirar a pedra.
Há bem pouco tempo havia demasiados cidadãos mais iguais que outros.
Devagar, devagarinho, sentem-se os ventos da mudança.
Nos últimos anos, graças à mudança dos actores, à nossa resiliência e também à do Sindicato os ares que se respiram são mais benéficos, mais puros. Têm vindo paulatinamente a ser criadas as condições para podermos serena e objectivamente exercer as nossas funções e garantir que o cidadão seja tratado e considerado de forma igual, garantir que não existam pessoas mais iguais que outras, cidadãos de primeira e cidadãos de segunda.
Para afirmar a democracia é essencial assegurar a igualdade dos cidadãos perante a lei. Só assim se mantêm os valores da liberdade. Sem um Ministério Público autónomo, não há igualdade. Sem igualdade, não haverá verdadeiramente liberdade.
Os tempos que se avizinham não se prevêem fáceis. Receio que nos próximos tempos o nosso trabalho venha a ser sistematicamente controlado, a nossa legitimidade venha a ser questionada e a nossa autonomia venha a ser irremediavelmente atacada.
Em tempos difíceis é essencial manter o Sindicato independente, coeso e persistente. Há que garantir que, fechadas todas as portas e barrados todos os caminhos, haja alguém que, contra a maré, continue a remar, que siga em frente, sempre e sem vergar.
Por acreditar que a nossa lista é aquela que melhor representa os valores da autonomia tanto externa como interna e também por acreditar que representa o melhor equilíbrio entre continuidade e renovação, solenemente Afirmo que votarei na Lista A.
Finalmente, dar-me-ei à liberdade de, traduzindo por palavras minhas, citar um provérbio (segundo me constou mexicano):
"Queriam enterrar-nos...
Não sabiam que, na realidade, éramos sementes"
Vota A
Valéria Portela, candidata a vogal da Distrital de Lisboa